sábado, 25 de setembro de 2010
O BRASIL E SUA MISSÃO HISTÓRICA DE "CORAÇÃO DO MUNDO E PÁTRIA DO EVANGELHO"
domingo, 19 de setembro de 2010
DEUS, ACIMA DE TUDO
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
ATUA EM PAZ
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
A Chegada do Penta, a Partida de Chico.
20/06/2006
Vai demorar para os brasileiros desvincularem a Copa do Mundo da desencarnação de Chico Xavier, o médium mais conhecido do Brasil.
Izabel Vitusso
“Quero morrer num dia em que o Brasil esteja feliz”. Seu desejo foi atendido: enquanto o Brasil ainda comemorava o penta-campeonato, em junho de 2002, Chico Xavier serenamente partia para o lugar de origem. Ele era assim: simplicidade, com desejo de servir e não ser servido. Embora o culto à personalidade não faça sentido para doutrina espírita, as histórias que ocorreram em torno de Chico Xavier irão atrair sempre a atenção, pela beleza das ações, que só espíritos com sua categoria são capazes de realizar. São exemplos para serem absorvidos, não cultuados. Por essa razão, o cirurgião plástico paulista Dr. Oswaldo de Castro, 82 anos, que conviveu estreitamente com Chico, em Uberaba, conta com detalhes fatos de sua convivência com o médium.
O senhor é de São Paulo. O que aconteceu que o fez conviver com o Chico?
Sou filho de dentista, e desde de cedo desenvolvi habilidades na profissão com meu pai. Em 1948 ingressei, em Araraquara, na Faculdade de Odontologia. Porém, tinha em mente fazer o curso de medicina.
Em casa éramos católicos. Fazia dois anos que eu havia me formado e minha mãe foi visitar uns tios no interior e, por curiosidade, por curiosidade, ao conversar com um senhor que lia sorte, ele mostrou-lhe uma foto minha. Ele olhou e disse que eu estava na carreira errada. Mas eu não acreditava, não era espírita. Em contato com o médico e dentista Dr. Laet Toledo César – quem trouxe a técnica de medicina para a odontologia – e com quem aprendi muita coisa da Medicina, resolvi fazer o curso.
Eu tinha um assistente aqui em São Paulo formado em Uberaba, que sugeriu que a faculdade de lá convidasse o prof. Laet e eu para fazermos demonstrações, em cirurgia de lábio leporino. Getúlio Vargas acabou fundando a Faculdade de Medicina lá, prestei vestibular e entrei. Quando voltei para casa – por esse motivo acabei me tornando espírita – uma tia, católica, que tinha mediunidade [ostensiva] transmitiu a mim uma mensagem de um espírito que rendia graças a Deus por eu ter ido a Uberaba, dizendo ser lá meu lugar. Quando Chico mudou-se para Uberaba, em 1959, eu já estava no sexto ano [do curso de Medicina].
Como então o senhor conheceu o Chico?
Quando eu estava no quarto ano de medicina, já era casado. Quando meu primeiro filho Max estava com 2 anos, começou a manifestar a mediunidade. Eu não tinha amizade com Chico, mas ele estava lá hospedado com Waldo [Vieira] antes de se mudar. Pensei. Bem que o Waldo podia passar para dar um passe no menino. Eles apareceram. Foi dado o passe e constatada a mediunidade. O espírito para de atuar no menino e atacou a minha esposa.
Na época, eles tinham cercado o terreno para fazer a Comunhão Espírita ao lado. Chico disse “vai abrir o centro e assim começar a sessão de desobsessão, vocês estão convidados.” Participei com a minha esposa desde o início, até retornar para São Paulo. Quando acabei a faculdade, voltei, mas ia sempre para Uberaba operar.
O senhor foi médico do Chico?
Eu o tratava com homeopatia. O médico do Chico era o Eurípedes Cahan, muito meu amigo. Ele clinicava nos Estado Unidos. E tem um fato interessante que ocorreu. Certa vez, ele e o Waldo, levaram o Chico para a Inglaterra e estados Unidos, com a finalidade de difundir o Espiritismo. Ao saírem pelo centro de Nova Iorque, um senhor porto riquenho bateu nas costas do Chico, falando em sua língua que sua mulher estava muito mal. Chico tomou nota do endereço, dizendo que no dia seguinte estaria lá. A mulher estava obsediada. Com o passe dado, o ambiente ficou todo perfumado e a água fluida, leitosa. Chico falou em castelhano fluente. Eurípedes disse: “que negócio é esse de falar castelhano?”. Chico explicou: “Não fui eu, foi a avó dele quem falou.”
O senhor conhece fatos ainda inéditos sobre o Chico. O que lembra para contar? O caso da peruca
Existem fatos que, pela modéstia do Chico, são mal interpretados. O potencial mediúnico dele é imenso. Seu campo vibracional e de sensibilidade era extraordinário.
Muitas pessoas disputavam com ciúme o convívio com ele. Ele ia fazer a peregrinação, uns queriam pegar no braço de cá e outro de lá. Ele, muitas vezes recebia fluidos terríveis. Ele resolveu colocar a peruca para evitar que tocassem em sua cabeça, onde tinha maior sensibilidade. Ele não tinha vaidade nenhuma.
Sua estada em Pedro Leopoldo – MG
Chico era funcionário do ministério da Agricultura em Pedro Leopoldo. Dez anos antes dele se mudar de Pedro Leopoldo para Uberaba, isso Chico me contou, ele foi ate lá para uma exposição de gado. Quando chegou, um espírito e falou “um dia você vai vir para cá”, mas o Chico não levou a sério. Ele sofria uma perseguição muito grande da imprensa, do clero em Pedro Leopoldo. Existia um frei, Boaventura, que fazia campanha muito grande contra o Espiritismo e certa vez ele foi a Pedro Leopoldo procurar Chico. Ficou mais de duas horas trancado, conversando, tentando convencer o Chico para que, a troco de muito dinheiro, relegasse o Espiritismo. Chico disse que estava muito feliz com o plano espiritual.
Waldo Vieira aparece para Chico
Todo mundo conhece a história do Chico que via a mãe em espírito, no fundo do quintal, assim que ela desencarnou. Certa vez, ele me confidenciou que não era só sua mãe que aparecia, mas outras entidades. Via Waldo Vieira também. Em uma de suas encarnações, na Espanha, o médium – Waldo Vieira [que trabalhou mediunicamente com Chico] foi seu filho e foi levado por um circo que percorria o país, quando tinha uns 6 anos. Chico disse que chorou muito, mas era muito pobre e tinha dificuldades para procurá-lo. “Fiquei vinte anos procurando o menino; quando eu consegui localizar o circo, me disseram: seu menino foi morto a doze anos.”
Quando ia brincar com o menino no primário, Waldo aparecia pra mim e me avisava “não brinca com esse menino, que ele não te serve”. Certamente Emmanuel estava por trás mais não parecia. Certa vez, Waldo se apresentou e disse: “Chico, eu vou me despedir porque preciso reencarnar. Não saia de perto de Leopoldo que um dia eu venho te buscar, mas o Emmanuel nunca lhe havia dito onde Waldo havia reencarnado.
Nascido em Monte Carmelo – MG, Waldo foi orientado por uma médium extraordinária para que fosse estudar em Uberaba, que lá muita coisa iria se desencadear. Acolhido pelo professor Mário Palmélio, teve estudo e moradia de graça. Ele era inteligente e estudioso. Fez o ginásio, o científico, conhecia a doutrina, mas ainda não havia tido contato com Chico era perseguido em Pedro Leopoldo, e ficava apreensivo pelo trabalho de receituário que realizava.
O senhor sabe como ocorreu o encontro entre Chico e Waldo Vieira nesta encarnação?
Ao encontrar pela primeira vez Waldo, Chico ficou emocionado, mas não disse nada. Passado um ano, Waldo Vieira foi visitar o médium em Pedro Leopoldo, encontrando-o em sofrimento, com repercussões na saúde. Chico não podia continuar mais ali. Disse, então: “Chico, eu vim te buscar. Você vaia para Uberaba”. Quando ele falou isso, os dois choraram emocionados!
O Chico chegou a comentar por que Waldo Vieira não continuou com sua tarefa no mandato mediúnico?
Chico nunca comentou muito a respeito. Dizia apenas que Waldo, quando foi para os Estados Unidos, caiu numa personalidade do passado e deixou completamente a Doutrina. Sua mediunidade era extraordinária. Depois que chegávamos da perigrinação, eram realizados trabalhos mediúnicos e me lembro do fato do Chico e Waldo receberem um soneto em parceria. Enquanto uma parte era psicografada por Waldo, o Chico ficava parado, depois, alternavam. A psicografia de um completava a do outro. Também, quando Chico estava para mudar, ele escreveu Evolução em dois mundos. Um capítulo ele recebia, de André Luiz, lá em Pedro Leopoldo e outro, Waldo Vieira recebia em Uberaba.
Casos com o Waldo Vieira
Certa vez, diante da fila que se formava em frente à Comunhão Espírita Cristã para recebimento das cestas de alimento, Waldo disse que tinha tido um sonho. “Eu vi todo esse pessoal aqui na fila, mas nós estávamos fardados.”
O entendimento desse sonho vem através da explicação do Dr. Bezerra [de Menezes], que havia lhe dito que lá pelos anos 60, 70 d.C., Eurípedes Barsanulfo era general e perseguidor do Cristianismo e o Waldo também. Eurípedes se converteu ao Cristianismo, chegou para as tropas e disse: “em nome de Jesus Cristo, deponham suas armas.” O Waldo foi o primeiro.
Eurípedes, através de reencarnações, foi reunindo aquelas vítimas, que acabaram por reencarnar em Sacramento[MG], onde ele nasceu e desencarnou cuidando de todos até o fim, vitimados pela gripe espanhola. Bezerra diz que Eurípedes Barsanulfo, para ser um Eurípedes Barsanulfo demorou mil e oitocentos e tantos anos, (não me lembro quanto). Eurípedes, querendo ou não, teve a rua com seu nome. “A praça de guerra de Eurípedes se transformou em praça da caridade” – fazendo referência ao nome da rua Professor Eurípedes Barsanulfo, onde fica a Comunhão Espírita Cristã. Chico disse que Eurípedes é tão humilde que não deixa aparecer. “Eu sei que ele nos ajuda.”
Foi o senhor quem operou Chico?
Chico tinha um problema de saúde e precisava ser operado. Bezerra havia dito que caberia a ele escolher quando. Chegando de viagem, da Inglaterra, Chico me disse que iria fazer a cirurgia e que eu tinha que estar nisso. Perguntei: “por que eu”? Não sou urologista (ele tinha problema da próstata que estava judiando muito). Organizei a equipe, disse que era para uma pessoa que eu queria muito bem, mas não revelei quem seria operado. Falei com um amigo: Américo Zopi, que me lembrou que eu poderia falar com outro amigo, urologista, Levi.
Chegamos ao Hospital Santa Helena [em São Paulo], onde eu operava e, mo portão, Chico disse: “André Luiz está me falando para não deixar dar adrenalina para mim que vai fazer mal”. Chico ficou internado no 7º andar, no quarto 72. Isso foi no dia 29 de agosto de 1968. Instalado, ele começou a dar notícias dos aparelhos espiritualmente instalados nos cantos do quarto. Disse serem resultantes das preces feitas em benefícios dos doentes internados lá antes. “É para esterilização do ambiente”, explica Bezerra. Também comentou que foi levado a conhecer o trabalho que se realizava espiritualmente, no subsolo para socorro dos espíritos que desencarnavam naquele hospital, antes de seguirem para outros planos. Segundo Bezerra, aquela instituição tinha um carinho especial da espiritualidade, pelo trabalho de assistência social que realizava. Pertencia à Fundação que também fundara o hospital Alemão, hoje Oswaldo Cruz.
Quando Chico foi para a sala de operação, saiu na maca e fez sinal de despedida, sorrindo. No pós-operatório, falou que já não era ele. “A Meimei me tomou o corpo 48 horas, até passar o pós-operatório”. Também no pós-operatório, deu-se a entender que os espíritos faziam fila para cumprimentá-lo. Ele estava tranqüilo e de repente dizia: “Ah! Auta de Souza! E na seqüência, dizia outros nomes.” Vendo que se tratava do Chico, o paciente a ser operado, o Levi disse: “você não é o Xavier?” Chico respondeu daquele seu jeito: “É...seu criado...”
Quando estava terminando a operação, surgiu a dúvida de quem iria operar a hérnia estrangulada do Chico [em decorrência das garfadas na barriga, que levara, quando criança da madastra]. Eu pensei, bem que Américo Zopi podia estar aqui. Ele entendia e operava muito bem. De repente, ele entrou sem ser chamado, dizendo: “precisam de ajuda aí?” Terminada a cirurgia, eu fui acompanhá-lo até o quarto. Nena, Galves, [amigos íntimos do médium, fundadores do Centro espírita União em São Paulo], minha esposa, Terezinha, ficaram em vibração e quando eu disse que o Américo é quem havia operado a hérnia, Nena disse que já sabia: “um espírito passou por aqui e nos avisou”.
Quando teve alta, para não magoar ninguém, já que só avisaram sobre a cirurgia depois de terminada, ele quis visitar uma pessoa não espírita, para não gerar ciúme. Foi visitar Tarsila do Amaral. A artista, que pintava sentada em uma cama alta, disse ao Chico que o dia que ele recebesse o título de cidadão paulistano, ela estaria presente numa cadeira de rodas. Mas não deu tempo. Desencarnou. Quando Chico recebeu o título, ele a viu presente espiritualmente na cadeira de rodas.
Chico foi um verdadeiro apóstolo!
Jornal Correio Fraterno – Maio/Junho de 2006
domingo, 18 de julho de 2010
SE VOCÊ PUDER
Se você puder, hoje ainda:
olvide contratempos e mostre um sorriso mais amplo para aqueles que lhe compartilham a vida;
dê mais um toque de felicidade e beleza em seu recanto doméstico;
faça a visita, mesmo ligeira, ao doente que você deseja reconfortar;
escreva, ainda que seja um simples bilhete, transmitindo esperança e tranqüilidade, em favor de alguém;
melhore os seus conhecimentos, no setor de trabalho a que esteja empregado o seu tempo;
estenda algo mais de otimismo e de alegria aos que se encontrem nas suas faixas de convivência;
procure esquecer - mas esquecer mesmo - tudo o que se lhe faça motivo de tristeza ou aborrecimento;
leia alguma página edificante e escute música que pacifique o coração;
dedique alguns minutos à meditação e à prece;
pratique, pelo menos, uma boa ação sem contar isso a ninguém.
Estas indicações de apoio espiritual, se forem observadas, farão grande bem aos outros, mas especialmente a você mesmo.
Autor: André Luiz (espírito)
Psicografia de Chico Xavier
domingo, 21 de fevereiro de 2010
NÃO ESTRAGUE O SEU DIA
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
EMMANUEL FALA SOBRE RAMATIS
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
A Entrevista de Chico Xavier a Humberto de Campos
Nos dias 9,10, 11 e 13 de Dezembro de 2009,em reuniões reservadas no - Centro Espírita Luz na Estrada - CELEST- Castanheiras- Sabará- MG, o médium Arael Magnus recebeu do espírito de Humberto de Campos o texto relatando o encontro/entrevista que ele teve com o nosso querido Chico Xavier. Segundo nos informa o espírito do escritor maranhense, essa entrevista se feito se deu na terça feira, 30 de novembro.
Por ser um material de grande volume o medium dividiu o texto em quatro partes e divulgou a primeira parte que pode ser acessada no link abaixo.
http://araelmagnus-intermdium.blogspot.com/2009/12/entrevista-com-chico-xavier.html
Caminho, Verdade e Vida
Na situação em que se acha nossa sociedade, é compreensível a dificuldade na escolha do próprio rumo.
Como nos ajustarmos a um mundo hostil, a situações aflitivas e prosseguir mantendo a alegria de viver?
São notícias sempre alarmantes de agressões, desemprego, acidentes.
É a corrupção que corre à solta e aparece em todo lugar, minando instituições que julgávamos sérias.
Ante a discrepância entre o falar e o agir de homens públicos, nos questionamos acerca do correto caminho político.
O que nos será melhor: as plataformas da esquerda, da direita, do centro?
Pensando nas questões da fé, ante tantos disparates, ilusões e enganos, nos perguntamos se valerá a pena cultivar a fé e reverenciar a Deus.
São múltiplas as indagações e parecem carecer de respostas, ao menos de respostas de bom senso.
Mas, há mais de dois milênios, um Cantor tomou da lira do amor e teceu sinfonias de esperança, abrindo Sua boca para enunciar: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
O que Ele veio ensinar é resposta para as inúmeras questões da alma humana.
A melhor postura política é aquela que visa o bem comum, num processo de ofertar melhores condições para a sociedade se educar, emancipar e fortalecer.
A proposta de Jesus para o pensamento político é a da justiça sem mácula, para todos.
Por isso prescreveu: A cada um segundo suas obras. Sem privilégios. Sem injustiças.
Dai a César o que a César pertence, ensinando ao homem a se tornar o cidadão cônscio dos seus deveres, direcionando ao Estado o que lhe pertence.
Amai-vos uns aos outros, estabelecendo que o homem deve se importar com o seu irmão, abandonando os canais da indiferença e do egoísmo.
No que diz respeito à fé religiosa, desde o momento em que se encontrou com a samaritana no poço de Jacó, estabeleceu as bases da verdadeira adoração, ensinando-nos que Deus é Espírito e importa que em Espírito e Verdade seja adorado.
O que importa mesmo é o amadurecimento interior não as posições exteriores que geram fanatismo, por não entender, a própria criatura, o que está fazendo.
Jesus é nosso norte e teve razão em afirmar: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
Quem O segue jamais andará em trevas ou se debaterá em dúvidas.
* * *
Os seguidores de Jesus são transeuntes solitários da via humana. São conhecidos, porém, incompreendidos. São suportados, mas nem sempre amados.
À semelhança do Mestre, permaneçamos fiéis no mundo das aflições, tudo enfrentando com o valor da fé, para não desanimarmos nem nos corrompermos.
O cristão não vacila porque tem como Modelo e Guia Jesus, o Divino condutor da Humanidade.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
ORGULHO E VAIDADE
“Em tempos de tempestade, orar, vigiar e estudar são os melhores remédios…”
Procuremos, agora, ilustrar, entre os defeitos que mais comumente manifestam-se em nós, o orgulho e a vaidade. Busquemos tranqüilamente conhecê-los, tão profundamente quanto possível, sem mascarar os seus impulsos dentro de nós mesmos. Entendamos que a tolerância começa de nós para nós mesmos. Assim, o nosso trabalho de prospecção interior é suave, e não podemos nos maldizer ou nos martirizar pelos defeitos que ainda temos. Vamos, então, trazer aos níveis de nossa consciência aquelas manifestações impulsivas que nos dominam de certo modo, e que, progressivamente, desejamos controlar.
Vejamos, então, como identificar em nós o orgulho e a vaidade.
Orgulho
Aquele que fio encontra a felicidade senão na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz quando fio os pode satisfazer, enquanto que aquele que fio se interessa pelo supérfluo se sente feliz com aquilo que, para os outros, constituiria infortúnio.
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Quarto. Capítulo 1. Penas e Gozos Terrenos. Parte dos comentários à resposta da pergunta 933.).
O orgulho vos induz a julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação que vos possa rebaixar, e a vos considerardes, ao contrário, tão acima dós vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. E o que acontece, então? Entregai-vos à cólera.
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo Q Espiritismo. Capítulo IX. Bem-aventurados os Brandos e Pacíficos. A Cólera.).
As principais reações e características do tipo predominantemente orgulhoso são:
1. Amor-próprio muito acentuado: contraria-se por pequenos motivos;
2. Reage explosivarnente a quaisquer observações ou críticas de outrem em relação ao seu comportamento;
3. Necessita ser o centro de atenções e fazer prevalecer sempre as suas próprias idéias;
4. Não aceita a possibilidade de seus erros, mantendo-se num estado de consciência fechado ao diálogo construtivo;
5. Menospreza as idéias do próximo;
6. Ao ser elogiado por quaisquer motivos, enche-se de uma satisfação presunçosa, como que se reafirmando na sua importância pessoal;
7. Preocupa-se muito com a sua aparência exterior, seus gestos são estudados, dá demasiada importância à sua posição social e ao prestígio pessoal;
8. Acha que todos os seus circundantes (familiares e amigos) devem girar em torno de si;
9. Não admite se humilhar diante de ninguém, achando essa atitude um traço de fraqueza e falta de personalidade;
10. Usa da ironia e do deboche para com o próximo nas ocasiões de contendas.
Compreendemos que o orgulhoso vive numa atmosfera ilusória, de destaque social ou intelectual, criando, assim, barreiras muito densas para penetrar na realidade do seu próprio interior. Na maioria dos casos o orgulho é um mecanismo de defesa para encobrir algum aspecto não aceito de ordem familiar, limitações da sua formação escolar-educacional, ou mesmo o resultado do seu próprio posicionamento diante da sociedade da imagem que escolheu para si mesmo, do papel que deseja desempenhar na vida de status.
E preferível nos olharmos de frente, corajosamente, e lutar por nossa melhora, não naquilo que a sociedade estabeleceu, dentro dos limites transitórios dos bens materiais, mas nas aquisições interiores: os tesouros eternos que a traça não come nem a ferrugem corrói! .
Vaidade
O homem, pois, em grande número de casos,é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade, acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.
(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo V. Bem-aventurados os Aflitos. Causas Atuais das Aflições.)
A vaidade é decorrente do orgulho, e dele anda próxima. Destacamos adiante as suas facetas mais comuns:
1. Apresentação pessoal exuberante (no vestir, nos adornos usados, nos gestos afetados, no falai demasiado);
2. Evidência de qualidades intelectuais, não poupando referências à própria pessoa, ou a algo que realiza;
3. Esforço em realçar dotes físicos, culturais ou sociais com notória antipatia provocada aos demais;
4. Intolerância para com aqueles cuja condição social ou intelectual é mais humilde, não evitando a eles referências desairosas;
5. Aspiração a cargos ou posições de destaque que acentuem as referências respeitosas ou elogiosas à sua pessoa;
6. Não reconhecimento de sua própria culpabilidade nas situações de descontentamento diante de infortúnios por que passa;
7. Obstrução mental na capacidade de se auto-analisar, não aceitando suas possíveis falhas ou erros, culpando vagamente a sorte, a infelicidade imerecida, o azar.
A vaidade, sorrateiramente, está quase sempre presente dentro de nós. Dela os espíritos inferiores se servem para abrir caminhos às perturbações entre os próprios amigos e familiares. É muito sutil a manifestação da vaidade no nosso íntimo e não é pequeno o esforço que devemos desenvolver na vigilância, para não sermos vítimas daquelas influências que encontram apoio nesse nosso defeito. De alguma forma e de variada intensidade, contamos todos com uma parcela de vaidade, que pode estar se manifestando nas nossas motivações de algo a realizar, o que é certamente válido, até certo ponto. O perigo, no entanto, reside nos excessos e no desconhecimento das fronteiras entre os impulsos de idealismo, por amor a uma causa nobre, e os ímpetos de destaque pessoal, característicos da vaidade.
A vaidade, nas suas formas de apresentação, quer pela postura física, gestos estudados, retórica no falar, atitudes intempestivas, reações arrogantes, reflete, quase sempre, uma deformação de colocação do indivíduo, face aos valores pessoais que a sociedade estabeleceu. Isto é, a aparência, os gestos, o palavreado, quanto mais artificiais e exuberantes, mais chamam a atenção, e isso agrada o intérprete, satisfaz a sua necessidade pessoal de ser observado, comentado, badalado.
No íntimo, o protagonista reflete, naquela aparência toda, grande insegurança e acentuada carência de afeto que nele residem, oriundas de muitos fatores desencadeados na infância e na adolescência. Fixações de imagens que, quando criança, identificou em algumas pessoas aparentemente felizes, bem sucedidas, comentadas, admiradas, cujos gestos e maneiras de apresentação foram tomados como modelo a seguir.
O vaidoso o é, muitas vezes, sem perceber, e vive desempenhando um personagem que escolheu. No seu íntimo é sempre bem diferente daquele que aparenta, e, de alguma forma, essa dualidade lhe causa conflitos, pois sofre com tudo isso, sente necessidade de encontrar-se a si mesmo, embora às vezes sem saber como.
O mais prejudicial nisso tudo é que as fixações mentais nos personagens selecionados podem estabelecer e conduzir a enormes bloqueios do sentimento, levando as criaturas a assumirem um caráter endurecido, insensível, de atitudes frias e grosseiras. O Aprendiz do Evangelho terá aí um extraordinário campo de reflexão, de análise tranqüila, para aprofundar-se até as raízes que geraram aquelas deformações, ao mesmo tempo que precisa identificar suas características autênticas, o seu verdadeiro modo de ser, para então despir a roupagem teatral que utilizava e colocarse amadurecidamente, assumindo todo o seu íntimo, com disposição de melhorar sempre.
