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sábado, 1 de setembro de 2012

ORAÇÃO REFAZENTE


Victor Hugo
psicografia de Divaldo Pereira Franco

Almas da Terra,

Quando o fragor das inquietações estiver a ponto de estraçalhar-vos, se nas encruzilhadas não souberdes o caminho a seguir e todas as rotas vos parecerem acesso a abismos; quando insuportável desesperação vos houver arrastado a conclusões infelizes que vos pareçam ser a única solução; quando os infortúnios em vos excruciando tendei a tornar-vos indiferentes ao próprio sofrimento:

tendes o veículo da oração e dispondes do acesso à meditação remediadora.

Talvez, não vos sejam supressos os problemas, nem afastadas as dificuldades; no entanto, dilatareis a visão para melhor e mais apurado discernimento, lobrigareis mais ampla compreensão da Vida e das suas legítimas realidades, experimentareis a presença de forças ignotas que vos penetrarão. Vitalizando-vos, elevar-vos eis a zonas psíquicas relevantes donde volvereis saturados de paz com possibilidades de prosseguirdes não obstante quaisquer difíceis conjunturas existentes ou por existirem.
  
Porque a prece apazigua e a meditação refaz. A oração eleva enquanto a reflexão sustenta. O pensamento nobre comungando com Deus, em Deus está a Vida, e dialogando em conúbio de amor extravaza as impurezas e se impregna com as sublimes vibrações da afetividade, que se converte em força dinâmica para sustentar as combalidas potencialidades que, então, se soerguem e não mais desfalecem.
  
Não vos arrojeis desastradamente nas valas da ira irrefreável ou nas vagas da insensatez. Antes que vou assaltem os demônios do crime, erguei-vos do caos, pensando e orando. Há ouvidos atentos que captarão vossos apelos e cérebros poderosos que emitirão mensagens respostas que não deveis desconsiderar. Amores que vos precederam no além-túmulo vigiam e esperam por vós. Amam e aguardam receptividade. Não vos enganeis nem vos desespereis. Tende tento. Falai ao Pai na prece calma e silenciai para o ouvirdes através da inspiração clarificadora. Nada exijais. Quem ora não impõe.

Orar é abrir a alma, externar estados íntimos, refugiar-se na Divina Sabedoria, a fim de abastecer-se de entendimento penetrando-se de saúde interior. E quando retornardes da incursão pela prece exultar, apagando as sombrias expressões anteriores, superando as marcas das crises sofridas e espargindo alegrias em nome da esperança que habitarás em vós.

Trabalhando pelo Bem o Homem ora. Orando na aflição ou na alegria, o Homem trabalha. E orando conseguirá vencer toda a tentação, integrar-se com plenitude no Espírito da Vida que flui da Vida abundante com forças superiores para trabalhar e vencer.

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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PAZ ÍNTIMA

Autor: Victor Hugo, da obra "Árdua Ascensão"
psicografia de Divaldo Pereira Franco

“Para que uma conduta pacifista se estabeleça e predomine no homem, faz-se necessária uma vontade forte que promova a revolução interior, em violência contra si mesmo, através da revisão e reestruturação dos conceitos sobre a vida, assumindo uma posição de princípios definidos, sem titubeios nem ambiguidades escapistas.

Tomada essa conduta, a marcha se faz amena, porque o homem passa a considerar todos os sucessos do ponto de vista espiritual, isto é, da transitoriedade da existência corporal e da perenidade do Espírito.

Desse modo, muda a paisagem dos fenômenos humanos que, efeitos de causas profundas, devem ser examinados e corrigidos nas suas gêneses, antes que mediante a irrupção de novos incidentes, em razão das reações tomadas contra os mesmos.

Agir com lucidez ao invés de reagir pela força, é a conduta certa, porque procedente da razão,
antes que decorrente do instinto-paixão dissolvente.

Não há outra alternativa para o ser inteligente, senão o uso da razão em todo momento e em
qualquer ocorrência nas quais seja colhido.

A sua reação não pode ultrapassar o limite do equilíbrio, sustando o golpe que lhe foi desferido ou o amortecendo no algodão da misericórdia em favor de quem lho aplicou...

Mediante esse processo, ruem as barreiras da intolerância, e do ódio; acabam-se as distâncias impeditivas à fraternidade; apagam-se as mágoas; diluem-se os rancores, porque ninguém logra vencer aquele que a si próprio já se venceu.

Os ultrajes não o afetam; as agressões não o intimidam; a morte não o atemoriza, porque ele
é livre, portador de uma liberdade que algema nenhuma escraviza ou aprisiona, nem cárcere
algum limita...

É, portanto, imbatível, terminando por fazer-se amado, mártir dos ideais e das aspirações de
todos. Pronto!”

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O ALCOOLISMO

Victor Hugo, da obra "Calvário de Libertação"
psicografia de Divaldo Pereira Franco

Sem nos determos no exame dos fatores sócio-psicológicos causais do alcoolismo generalizado, de duas ordens são as engrenagens que o desencadeiam, - observado o problema do ponto de vista espiritual.

Antigos viciados e dependentes do álcool, em desencarnando não se liberam do hábito, antes sofrendo-lhe mais rude imposição.

Prosseguindo a vida, embora a ausência do corpo, os vícios continuam vigorosos, jungindo os que a eles se aferraram a uma necessidade enlouquecedora. Atônitos e sedentos, alcoólatras desencarnados se vinculam às mentes irresponsáveis, de que se utilizam para dar larga à continuação do falso prazer, empurrando-os, a pouco e pouco, do aperitivo tido como inocente ao lamentável estado de embriaguez.

Os que lhes caem nas malhas, tornam-se, por isso mesmo, verdadeiros recipientes por meio dos quais absorvem os vapores deletérios, caindo, também, em total desequilíbrio, até quando a morte advém à vítima, ou as Soberanas Leis os recambiam à matéria, que padecerá das dolorosas injunções constritoras que lhe impõe o corpo perispiritual...

Normalmente, quando reencarnados, os antigos viciados recomeçam a atividade mórbida, servindo, a seu turno, de instrumento do gozo infeliz, para os que se demoram na Erraticidade inferior...

Outras vezes, os adversários espirituais, na execução de uma programática de desforço pelo ódio, induzem os seus antigos desafetos à iniciação alcoólica, mediante pequenas doses, com as quais no transcurso do tempo os conduzem à obsessão, desorganizando-lhes a aparelhagem físio-psíquica e dominando-os totalmente.

No estado de alcoolismo faz-se muito difícil a recomposição do paciente, dele exigindo um esforço muito grande para a recuperação da sanidade.

Não se afastando a causa espiritual, torna-se menos provável a libertação, desde que, cessados os efeitos de quaisquer terapêuticas acadêmicas, a influência psíquica se manifesta, insidiosa, repetindo-se a lamentável façanha destruidora...

A obsessão, através do alcoolismo, é mais generalizada do que parece.

Num contexto social permissivo, o vício da ingestão de alcoólicos torna-se expressão de status, atestando a decadência de um período histórico que passa lento e doído.

Pelos idos de 1851, porque enxameassem os problemas derivados da alcoolofilia, Magno Huss realizou, por vez primeira, um estudo acurado da questão, promovendo um levantamento dos danos causados no indivíduo e alertando as autoridades para as conseqüências que produz na sociedade.

Os que tombam na urdidura alcoólica, justificam-lhe o estranho prazer, que de início lhes aguça a inteligência, faculta-lhes sensações agradáveis, liberando-os dos traumas e receios, sem se darem conta de que tal estado é fruto das excitações produzidas no aparelho circulatório, respiratório com elevação da temperatura para, logo mais produzir o nublar da lucidez, a alucinação, o desaparecimento do equilíbrio normal dos movimentos...

Inevitavelmente, o viciado sofre uma congestão cerebral intensa ou experimenta os dolorosos estados convulsivos, que se tornam perfeitos delírios epilépticos, dando margem a distúrbios outros: digestivos, circulatórios, nervosos que podem produzir lesões irreversíveis, graves.

A dependência e continuidade do vício conduz ao delirium tremens, resultante da cronicidade do alcoolismo, gerando psicoses, alucinações várias que culminam no suicídio, no homicídio, na loucura irrecuperável.

Mesmo em tal caso, a constrição obsessiva segue o seu curso lamentável, já que, não obstante destrambelhadas as aparelhagens do corpo, o espírito encarnado continua a ser dominado pelos seus algozes impenitentes em justas de difícil narração...

Além dos danos sociais que o alcoolismo produz, engendrando a perturbação da ordem, a queda da natalidade, a incidência de crimes vários, a decadência econômica e moral, é enfermidade espiritual que o vero Cristianismo erradicará da Terra, quando a moral evangélica legítima substituir a débil moral social, conveniente e torpe.

Ao Espiritismo cumpre o dever de realizar a psicoterapia valiosa junto a tais enfermos e, principalmente, a medida preventiva pelos ensinos corretos de como viver-se em atitude consentânea com as diretrizes da Vida Maior.

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