segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A Chegada do Penta, a Partida de Chico.

20/06/2006

Vai demorar para os brasileiros desvincularem a Copa do Mundo da desencarnação de Chico Xavier, o médium mais conhecido do Brasil.

Izabel Vitusso


“Quero morrer num dia em que o Brasil esteja feliz”. Seu desejo foi atendido: enquanto o Brasil ainda comemorava o penta-campeonato, em junho de 2002, Chico Xavier serenamente partia para o lugar de origem. Ele era assim: simplicidade, com desejo de servir e não ser servido. Embora o culto à personalidade não faça sentido para doutrina espírita, as histórias que ocorreram em torno de Chico Xavier irão atrair sempre a atenção, pela beleza das ações, que só espíritos com sua categoria são capazes de realizar. São exemplos para serem absorvidos, não cultuados. Por essa razão, o cirurgião plástico paulista Dr. Oswaldo de Castro, 82 anos, que conviveu estreitamente com Chico, em Uberaba, conta com detalhes fatos de sua convivência com o médium.


O senhor é de São Paulo. O que aconteceu que o fez conviver com o Chico?

Sou filho de dentista, e desde de cedo desenvolvi habilidades na profissão com meu pai. Em 1948 ingressei, em Araraquara, na Faculdade de Odontologia. Porém, tinha em mente fazer o curso de medicina.

Em casa éramos católicos. Fazia dois anos que eu havia me formado e minha mãe foi visitar uns tios no interior e, por curiosidade, por curiosidade, ao conversar com um senhor que lia sorte, ele mostrou-lhe uma foto minha. Ele olhou e disse que eu estava na carreira errada. Mas eu não acreditava, não era espírita. Em contato com o médico e dentista Dr. Laet Toledo César – quem trouxe a técnica de medicina para a odontologia – e com quem aprendi muita coisa da Medicina, resolvi fazer o curso.
Eu tinha um assistente aqui em São Paulo formado em Uberaba, que sugeriu que a faculdade de lá convidasse o prof. Laet e eu para fazermos demonstrações, em cirurgia de lábio leporino. Getúlio Vargas acabou fundando a Faculdade de Medicina lá, prestei vestibular e entrei. Quando voltei para casa – por esse motivo acabei me tornando espírita – uma tia, católica, que tinha mediunidade [ostensiva] transmitiu a mim uma mensagem de um espírito que rendia graças a Deus por eu ter ido a Uberaba, dizendo ser lá meu lugar. Quando Chico mudou-se para Uberaba, em 1959, eu já estava no sexto ano [do curso de Medicina].


Como então o senhor conheceu o Chico?

Quando eu estava no quarto ano de medicina, já era casado. Quando meu primeiro filho Max estava com 2 anos, começou a manifestar a mediunidade. Eu não tinha amizade com Chico, mas ele estava lá hospedado com Waldo [Vieira] antes de se mudar. Pensei. Bem que o Waldo podia passar para dar um passe no menino. Eles apareceram. Foi dado o passe e constatada a mediunidade. O espírito para de atuar no menino e atacou a minha esposa.

Na época, eles tinham cercado o terreno para fazer a Comunhão Espírita ao lado. Chico disse “vai abrir o centro e assim começar a sessão de desobsessão, vocês estão convidados.” Participei com a minha esposa desde o início, até retornar para São Paulo. Quando acabei a faculdade, voltei, mas ia sempre para Uberaba operar.


O senhor foi médico do Chico?

Eu o tratava com homeopatia. O médico do Chico era o Eurípedes Cahan, muito meu amigo. Ele clinicava nos Estado Unidos. E tem um fato interessante que ocorreu. Certa vez, ele e o Waldo, levaram o Chico para a Inglaterra e estados Unidos, com a finalidade de difundir o Espiritismo. Ao saírem pelo centro de Nova Iorque, um senhor porto riquenho bateu nas costas do Chico, falando em sua língua que sua mulher estava muito mal. Chico tomou nota do endereço, dizendo que no dia seguinte estaria lá. A mulher estava obsediada. Com o passe dado, o ambiente ficou todo perfumado e a água fluida, leitosa. Chico falou em castelhano fluente. Eurípedes disse: “que negócio é esse de falar castelhano?”. Chico explicou: “Não fui eu, foi a avó dele quem falou.”


O senhor conhece fatos ainda inéditos sobre o Chico. O que lembra para contar? O caso da peruca

Existem fatos que, pela modéstia do Chico, são mal interpretados. O potencial mediúnico dele é imenso. Seu campo vibracional e de sensibilidade era extraordinário.

Muitas pessoas disputavam com ciúme o convívio com ele. Ele ia fazer a peregrinação, uns queriam pegar no braço de cá e outro de lá. Ele, muitas vezes recebia fluidos terríveis. Ele resolveu colocar a peruca para evitar que tocassem em sua cabeça, onde tinha maior sensibilidade. Ele não tinha vaidade nenhuma.


Sua estada em Pedro Leopoldo – MG

Chico era funcionário do ministério da Agricultura em Pedro Leopoldo. Dez anos antes dele se mudar de Pedro Leopoldo para Uberaba, isso Chico me contou, ele foi ate lá para uma exposição de gado. Quando chegou, um espírito e falou “um dia você vai vir para cá”, mas o Chico não levou a sério. Ele sofria uma perseguição muito grande da imprensa, do clero em Pedro Leopoldo. Existia um frei, Boaventura, que fazia campanha muito grande contra o Espiritismo e certa vez ele foi a Pedro Leopoldo procurar Chico. Ficou mais de duas horas trancado, conversando, tentando convencer o Chico para que, a troco de muito dinheiro, relegasse o Espiritismo. Chico disse que estava muito feliz com o plano espiritual.


Waldo Vieira aparece para Chico

Todo mundo conhece a história do Chico que via a mãe em espírito, no fundo do quintal, assim que ela desencarnou. Certa vez, ele me confidenciou que não era só sua mãe que aparecia, mas outras entidades. Via Waldo Vieira também. Em uma de suas encarnações, na Espanha, o médium – Waldo Vieira [que trabalhou mediunicamente com Chico] foi seu filho e foi levado por um circo que percorria o país, quando tinha uns 6 anos. Chico disse que chorou muito, mas era muito pobre e tinha dificuldades para procurá-lo. “Fiquei vinte anos procurando o menino; quando eu consegui localizar o circo, me disseram: seu menino foi morto a doze anos.”
Quando ia brincar com o menino no primário, Waldo aparecia pra mim e me avisava “não brinca com esse menino, que ele não te serve”. Certamente Emmanuel estava por trás mais não parecia. Certa vez, Waldo se apresentou e disse: “Chico, eu vou me despedir porque preciso reencarnar. Não saia de perto de Leopoldo que um dia eu venho te buscar, mas o Emmanuel nunca lhe havia dito onde Waldo havia reencarnado.

Nascido em Monte Carmelo – MG, Waldo foi orientado por uma médium extraordinária para que fosse estudar em Uberaba, que lá muita coisa iria se desencadear. Acolhido pelo professor Mário Palmélio, teve estudo e moradia de graça. Ele era inteligente e estudioso. Fez o ginásio, o científico, conhecia a doutrina, mas ainda não havia tido contato com Chico era perseguido em Pedro Leopoldo, e ficava apreensivo pelo trabalho de receituário que realizava.

O senhor sabe como ocorreu o encontro entre Chico e Waldo Vieira nesta encarnação?

Ao encontrar pela primeira vez Waldo, Chico ficou emocionado, mas não disse nada. Passado um ano, Waldo Vieira foi visitar o médium em Pedro Leopoldo, encontrando-o em sofrimento, com repercussões na saúde. Chico não podia continuar mais ali. Disse, então: “Chico, eu vim te buscar. Você vaia para Uberaba”. Quando ele falou isso, os dois choraram emocionados!


O Chico chegou a comentar por que Waldo Vieira não continuou com sua tarefa no mandato mediúnico?

Chico nunca comentou muito a respeito. Dizia apenas que Waldo, quando foi para os Estados Unidos, caiu numa personalidade do passado e deixou completamente a Doutrina. Sua mediunidade era extraordinária. Depois que chegávamos da perigrinação, eram realizados trabalhos mediúnicos e me lembro do fato do Chico e Waldo receberem um soneto em parceria. Enquanto uma parte era psicografada por Waldo, o Chico ficava parado, depois, alternavam. A psicografia de um completava a do outro. Também, quando Chico estava para mudar, ele escreveu Evolução em dois mundos. Um capítulo ele recebia, de André Luiz, lá em Pedro Leopoldo e outro, Waldo Vieira recebia em Uberaba.

Casos com o Waldo Vieira

Certa vez, diante da fila que se formava em frente à Comunhão Espírita Cristã para recebimento das cestas de alimento, Waldo disse que tinha tido um sonho. “Eu vi todo esse pessoal aqui na fila, mas nós estávamos fardados.”
O entendimento desse sonho vem através da explicação do Dr. Bezerra [de Menezes], que havia lhe dito que lá pelos anos 60, 70 d.C., Eurípedes Barsanulfo era general e perseguidor do Cristianismo e o Waldo também. Eurípedes se converteu ao Cristianismo, chegou para as tropas e disse: “em nome de Jesus Cristo, deponham suas armas.” O Waldo foi o primeiro.

Eurípedes, através de reencarnações, foi reunindo aquelas vítimas, que acabaram por reencarnar em Sacramento[MG], onde ele nasceu e desencarnou cuidando de todos até o fim, vitimados pela gripe espanhola. Bezerra diz que Eurípedes Barsanulfo, para ser um Eurípedes Barsanulfo demorou mil e oitocentos e tantos anos, (não me lembro quanto). Eurípedes, querendo ou não, teve a rua com seu nome. “A praça de guerra de Eurípedes se transformou em praça da caridade” – fazendo referência ao nome da rua Professor Eurípedes Barsanulfo, onde fica a Comunhão Espírita Cristã. Chico disse que Eurípedes é tão humilde que não deixa aparecer. “Eu sei que ele nos ajuda.”

Foi o senhor quem operou Chico?

Chico tinha um problema de saúde e precisava ser operado. Bezerra havia dito que caberia a ele escolher quando. Chegando de viagem, da Inglaterra, Chico me disse que iria fazer a cirurgia e que eu tinha que estar nisso. Perguntei: “por que eu”? Não sou urologista (ele tinha problema da próstata que estava judiando muito). Organizei a equipe, disse que era para uma pessoa que eu queria muito bem, mas não revelei quem seria operado. Falei com um amigo: Américo Zopi, que me lembrou que eu poderia falar com outro amigo, urologista, Levi.

Chegamos ao Hospital Santa Helena [em São Paulo], onde eu operava e, mo portão, Chico disse: “André Luiz está me falando para não deixar dar adrenalina para mim que vai fazer mal”. Chico ficou internado no 7º andar, no quarto 72. Isso foi no dia 29 de agosto de 1968. Instalado, ele começou a dar notícias dos aparelhos espiritualmente instalados nos cantos do quarto. Disse serem resultantes das preces feitas em benefícios dos doentes internados lá antes. “É para esterilização do ambiente”, explica Bezerra. Também comentou que foi levado a conhecer o trabalho que se realizava espiritualmente, no subsolo para socorro dos espíritos que desencarnavam naquele hospital, antes de seguirem para outros planos. Segundo Bezerra, aquela instituição tinha um carinho especial da espiritualidade, pelo trabalho de assistência social que realizava. Pertencia à Fundação que também fundara o hospital Alemão, hoje Oswaldo Cruz.

Quando Chico foi para a sala de operação, saiu na maca e fez sinal de despedida, sorrindo. No pós-operatório, falou que já não era ele. “A Meimei me tomou o corpo 48 horas, até passar o pós-operatório”. Também no pós-operatório, deu-se a entender que os espíritos faziam fila para cumprimentá-lo. Ele estava tranqüilo e de repente dizia: “Ah! Auta de Souza! E na seqüência, dizia outros nomes.” Vendo que se tratava do Chico, o paciente a ser operado, o Levi disse: “você não é o Xavier?” Chico respondeu daquele seu jeito: “É...seu criado...”

Quando estava terminando a operação, surgiu a dúvida de quem iria operar a hérnia estrangulada do Chico [em decorrência das garfadas na barriga, que levara, quando criança da madastra]. Eu pensei, bem que Américo Zopi podia estar aqui. Ele entendia e operava muito bem. De repente, ele entrou sem ser chamado, dizendo: “precisam de ajuda aí?” Terminada a cirurgia, eu fui acompanhá-lo até o quarto. Nena, Galves, [amigos íntimos do médium, fundadores do Centro espírita União em São Paulo], minha esposa, Terezinha, ficaram em vibração e quando eu disse que o Américo é quem havia operado a hérnia, Nena disse que já sabia: “um espírito passou por aqui e nos avisou”.

Quando teve alta, para não magoar ninguém, já que só avisaram sobre a cirurgia depois de terminada, ele quis visitar uma pessoa não espírita, para não gerar ciúme. Foi visitar Tarsila do Amaral. A artista, que pintava sentada em uma cama alta, disse ao Chico que o dia que ele recebesse o título de cidadão paulistano, ela estaria presente numa cadeira de rodas. Mas não deu tempo. Desencarnou. Quando Chico recebeu o título, ele a viu presente espiritualmente na cadeira de rodas.


Chico foi um verdadeiro apóstolo!

Jornal Correio Fraterno – Maio/Junho de 2006

domingo, 18 de julho de 2010

SE VOCÊ PUDER

Se você puder, hoje ainda:

olvide contratempos e mostre um sorriso mais amplo para aqueles que lhe compartilham a vida;

dê mais um toque de felicidade e beleza em seu recanto doméstico;

faça a visita, mesmo ligeira, ao doente que você deseja reconfortar;

escreva, ainda que seja um simples bilhete, transmitindo esperança e tranqüilidade, em favor de alguém;

melhore os seus conhecimentos, no setor de trabalho a que esteja empregado o seu tempo;

estenda algo mais de otimismo e de alegria aos que se encontrem nas suas faixas de convivência;

procure esquecer - mas esquecer mesmo - tudo o que se lhe faça motivo de tristeza ou aborrecimento;

leia alguma página edificante e escute música que pacifique o coração;

dedique alguns minutos à meditação e à prece;

pratique, pelo menos, uma boa ação sem contar isso a ninguém.

Estas indicações de apoio espiritual, se forem observadas, farão grande bem aos outros, mas especialmente a você mesmo.

Autor: André Luiz (espírito)
Psicografia de Chico Xavier




domingo, 21 de fevereiro de 2010

NÃO ESTRAGUE O SEU DIA


A sua irritação não solucionará problema algum.

As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas.

Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar.

O seu mau humor não modifica a vida.

A sua dor não impedirá que o Sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus.

A sua tristeza não iluminará os caminhos.

O seu desânimo não edificará a ninguém.

As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade.

As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você.

Não estrague o seu dia. Aprenda, com a Sabedoria Divina, a desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre para o Infinito Bem.

André Luiz, da Obra Agenda Cristã, 
psicografado por Francisco Cândido Xavier



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

EMMANUEL FALA SOBRE RAMATIS

dom, 18 de dezembro, 2005
A mensagem abaixo reproduzida contém a íntegra de uma entrevista realizada com o médium Francisco Cândido Xavier e seu Instrutor Espiritual chamado Emmanuel, publicada pela Revista Boa Vontade, Ano 1, nº 4 - Outubro de 1956:
"Logo que apareceram as primeiras publicações da "Conexão de Profecias" (Hoje com o título Mensagens do Astral), de Ramatis, fomos a Pedro Leopoldo, a fim de ouvir a palavra autorizada de Emmanuel, através daquele aparelho maravilhoso que é Francisco Cândido Xavier. Isto, porque o que era dito pelo espirito de Ramatis, parecia-nos perfeitamente lógico. Mas, como constituía novidade, não queríamos aceitar de pronto algo que não passasse pelo crivo de várias manifestações mediúnicas, através de diversos aparelhos.
Desta forma, munidos do aparelho de gravação em fita, fomos atendidos gentilmente pelo médium, que respondeu às perguntas que fazíamos, repetindo as palavras da resposta, que eram ditadas por Emmanuel. A gravação foi feita no dia 5 de janeiro de 1954. Conservamos até hoje o rolo gravado em nosso poder.
Passamos a estampar as perguntas e respectivas respostas:
Pergunta: - Que pode o irmão dizer-nos a respeito do astro que se avizinha, segundo a predição de Ramatis?
Chico Xavier: - Esclarece nosso orientador espiritual que o assunto alusivo à aproximação de um Planeta ou de Planetas, da zona - ou melhor da aura da Terra - deve, naturalmente, basear-se em estudos científicos, que possam saciar a curiosidade construtiva das novas gerações renascentes no mundo. O problema, desse modo, envolve acurados exames, com a colaboração da ciência e da observação de nossos dias. Razão por que pede ele que não nos detenhamos na expressão física dos acontecimentos que se vizinham, para marcar maiores acontecimentos - acontecimentos esses de natureza espetacular - na transformação do plano em que estamos estagiando, no presente século. Afirma nosso amigo que o progresso da óptica e das ciências matemáticas, serão portadoras, naturalmente, de ilações, conclusões da mais alta importância para os nossos destinos, no futuro próximo.
Pergunta: - Pode Emmanuel dizer-nos algo a respeito da verticalização do eixo da Terra e das transformações que esta sofrerá, segundo Ramatis?
Chico Xavier: - Afirma nosso Orientador espiritual que não podemos esquecer que a Terra, em sua constituição física, propriamente considerada, possui os seus grandes períodos de atividade e de repouso. Cada período de atividade e cada período de repouso da matéria planetária, que hoje representa o alicerce de nossa morada temporária, pode ser calculado, cada um, em duzentos e sessenta mil (260.000) anos. Atravessando o período de repouso da matéria terrestre, a vida se reorganiza, enxameando de novo, nos vários departamentos do Planeta, representando, assim, novos caminhos para a evolução das almas.
Assim sendo, os grandes instrutores da Humanidade, nos planos superiores, consideram que, desses 260.000 anos de atividade, 60 a 64 mil anos são empregados na reorganização dos pródomos da vida organizada. Logo em seguida, surge o desenvolvimento das grandes raças que, como grandes quadros, enfeixam assuntos e serviços, que dizem respeito à evolução do espírito domiciliado na Terra.
Assim, depois desses 60 a 64 mil anos de reorganização de nossa Casa Planetária, temos sempre grandes transformações, de 28 em 28 mil anos. Depois do período dos 64 mil anos, tivemos duas raças na Terra, cujos traços se perderam, por causa de seu primitivismo. Logo em seguida, podemos considerar a grande raça Lemuriana, como portadora de urna inteligência algo mais avançada, detentora de valores mais altos, nos domínios do espírito. Após a raça Lemuriana - em seguida aos 28.000 anos de trabalho lemuriano propriamente considerado - chegamos ao grande período da raça Atlântida, era outros 28.000 anos de grandes trabalhos, no qual a inteligência do mundo se elevou de maneira considerável.
Achamo-nos, agora, nos últimos períodos da grande raça Ariana.
Podemos considerar essas raças, como grandes ciclos de serviços, em que somos chamados de mil modos diferentes, em cada ano de nossa permanência na crosta do planeta, ou fora dela, ao aperfeiçoamento espiritual, que é o objetivo de nossas lutas, de nossos problemas, de nossas grandes questões, na esfera de relações, uns para com os outros.
Assim considerando, será mais significativo e mais acertado, para nós, venhamos a estudar a transformação atual da Terra sob um ponto de vida moral, para que o serviço espiritual, confiado às nossas mãos e aos nossos esforços, não se perca em considerações, que podem sofrer grandes alterações, grandes desvios; porque o serviço interpretativo da filosofia e da ciência está invariavelmente subordinado ao Pensamento Divino, cuja grandeza não podemos perscrutar.
Cabe-nos, então, sentir, e, mais ainda, reconhecer, que os fenômenos da vida moderna e as modificações que nosso "habitat" terreal vem apresentando nos indicam a vizinhança de atividades renovadoras, de considerável extensão. Daí esse afluxo de revelações da vida extra-terrestre, incluindo sobre as cogitações dos homens; esses apelos reiterados, do mundo dos espíritos; essa manifestação ostensiva, daqueles que, supostamente mortos na Terra, são vivos na eternidade, companheiros dos homens em outras faixas vibratórias do campo em que a humanidade evolui. Toda essa eclosão de notícias, de mensagens, de avisos da vida espiritual, devem significar para o homem, domiciliado na Terra do presente século, a urgência do aproveitamento das lições de JESUS. Elas devera ser apreciadas em si mesmas, e examinadas igualmente no exemplo e no ensinamento de todos aqueles que, em variados setores culturais, políticos e filosóficos do globo - lhe traduzem a vontade divina, que na essência é sempre a nossa jornada para o Supremo Bem.
Os termos da comunicação obtida em Curitiba (a "Conexão de Profecias", de Ramatis) são de admirável conteúdo para a nossa inteligência, de vez que, realmente, todos os fatos alusivos à evolução da Terra, e referentes a todos os eventos, que se relacionam com a nossa peregrinação para a vida mais alta, estão naturalmente planificados, por aqueles ministros de Nosso Senhor Jesus Cristo; os quais, de acordo com Ele, estabelecem programas de ação para a coletividade planetária, de modo a facilitar-lhe os vôos para a divina ascensão. Embora, porém, esta mensagem, por isso mesmo, seja digna de nosso melhor apreço, contudo, na experiência de companheiro mais velho, recomenda-nos nosso Orientador Espiritual (Emmanuel) um interesse mais efetivo, para a fixação de valores morais em nossa personalidade terrena, de conformidade com os padrões estabelecidos no Evangelho de nosso Divino Mestre. Porque, para nossa inteligência, os fenômenos renovadores da existência que nos cercam têm qualquer coisa de sensacional, de surpreendente, nosso coração de inclinar-se, humilde, diante da Majestade do Senhor, que nos concede tantas oportunidades de trabalho, em nós mesmos, a revelação dos grandes acontecimentos porvindouros; novo soerguimento íntimo, novo modo de ser, a fim de que estejamos realmente habilitados a enfrentar valorosamente as lutas que se avizinham de nós, e preparados para desfrutar a Nova Era que, qual bonança depois da tempestade, facilitará nossos círculos evolutivos.
Será, todavia, muito importante encarecer, que não devemos reclamar, do terceiro milênio, uma transformação absolutamente radical, nos processos que caracterizam, por enquanto, a nossa vida terrestre. O prazo de 47 anos é diminuto, para sanar os desequilíbrios morais, de tantos séculos, em que o nosso campo coletivo e individual adquiriu tantos débitos, diante da sabedoria e diante do amor, que incessantemente apelam para nossa alma, no sentido de nos levantarmos, para uma clima mais aprimorado da existência. Não podemos esquecer, que grandes imensidades territoriais, na América, na África e na Ásia, nos desafiam a capacidade de trabalho. Não podemos olvidar, também, que a Europa, superalfabetizada, se encontra num Karma de débitos clamorosos, à frente da Lei, em doloroso expectação, para o reajuste moral, que Ihe é necessário.
Aqui mesmo, no Brasil, numa nação com capacidade de asilar novecentos (900) milhões de habitantes, em quatrocentos e alguns anos de evolução, mal estamos -os espíritos, encarnados na Terra em que temos a bênção de aprender ou recapitular a lição do Evangelho - mal estamos passando das faixas litorâneas. Serviços imensos esperam por nossas almas no futuro próximo. E, se é verdade que devemos aguardar, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, condições mais favoráveis para a estabilização da saúde humana, para o acesso mais fácil às fontes da ciência; se nos compete a obrigação de esperar o melhor para o dia de amanhã cabe-nos, igualmente, o dever de não olvidar que, junto desses direitos, responsabilidades constringentes contam conosco, para que o Mundo possa, efetivamente, atender ao programa Divino, através, não somente da superestrutura do pensamento científico - que é hoje um teto brilhante para os serviços de inteligência do mundo - mas também, através de nossos corações, chamados a plasmar uma vida, que seja realmente digna de ser vivida por aqueles que nos sucederão nos tempos duros; entre os quais, naturalmente, milhões de nós os reencarnados de agora, formaremos, de novo, como trabalhadores que voltam para o prosseguimento da tarefa de auto acrisolamento, para a ascensão sublime, que o Senhor nos reserva.
Considerando, assim, a questão sob este prisma, cabe-nos contar com o concurso da ciência, no setor das observações de ordem material; com a evolução dos instrumentos de óptica; com o avanço dos processos de exame, na esfera da química planetária, na qual os mundos podem ser analisados, como átomos da amplidão de universos, que se sucedem uns aos outros, no infinito da Vida. Será lícito, então, esperar que certas afirmativas, referentes a vida material, se positivem satisfatoriamente, para mais altas concepções da mente planetária; de vez que, muito breve, o homem estará ligado à glória da religião cósmica, da Religião do Amor e da Sabedoria, que o cristianismo renascente, no Espiritismo de hoje, edificará para a Humanidade, ajustando-a ao concerto de bênçãos, que o grande porvir nos reserva.
Pergunta: - Foi, de fato, há 37.000 anos que submergiu a Atlântida?
Chico Xavier: - Diz nosso Amigo (Emmanuel) que o cálculo é, aproximadamente, certo, considerando-se que as últimas ilhas, que guardavam os remanescentes da civilização atlântida, submergiram, mais ou menos, 9 a 10 mil anos, antes da Grécia de Sócrates.
Pergunta: - Poderíamos ter alguns informes a respeito de Antúlio?
Chico Xavier: - Vejo, aqui, nosso diretor espiritual, Emmanuel, que nos diz que um estudo acerca da personalidade de Antúlio exigiria minudências relacionadas com a história, no espaço e no tempo, que, de imediato, não podemos realizar. De modo que, tão somente, pode afiançar-nos que se trata de uma entidade de elevada hierarquia, no plano espiritual; vamos dizer; um assessor, ou um daqueles assessores, que servem nos trabalhos de execução do plano divino, confiado ao Nosso Senhor Jesus Cristo, para a realização do progresso da Terra, em geral.
Esclarece nosso amigo que Jesus Cristo, como governador de nosso mundo, no sistema solar, conta, naturalmente, com grandes instrutores, para a evolução física e para a evolução espiritual, na organização planetária. E, subordinados a esses ministros, para o progresso da matéria e do espirito, no plano que nós habitamos presentemente, conta Ele com uma assembléia de múltiplos instrutores, de variadas condições, que lhe obedecem as ordens e instruções, numa esfera, cuja elevação, de momento, escapa à nossa possibilidade de apreciação. Antúlio forma no quadro destes elevados servidores.
Pergunta: - Acha nosso irmão que a Mensagem de Ramatis deva ser divulgada com amplitude?
Chico Xavier: - Diz nosso Orientador que a Mensagem é de elevado teor... E todo trabalho organizado com o respeito, com o carinho e com a dignidade, dentro dos quais essa Mensagem se apresenta, merece a nossa mais ampla consideração, de vez que todos nós, em todos os setores, somos estudiosos, que devemos permutar as nossas experiências e as nossas conclusões para a assimilação do progresso, com mais facilidade em favor de nós mesmos."
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A Entrevista de Chico Xavier a Humberto de Campos

Nos dias 9,10, 11 e 13 de Dezembro de 2009,em reuniões reservadas no - Centro Espírita Luz na Estrada - CELEST- Castanheiras- Sabará- MG, o médium Arael Magnus recebeu do espírito de Humberto de Campos o texto relatando o encontro/entrevista que ele teve com o nosso querido Chico Xavier. Segundo nos informa o espírito do escritor maranhense, essa entrevista se feito se deu na terça feira, 30 de novembro.

Por ser um material de grande volume o medium dividiu o texto em quatro partes e divulgou a primeira parte que pode ser acessada no link abaixo.

http://araelmagnus-intermdium.blogspot.com/2009/12/entrevista-com-chico-xavier.html

Caminho, Verdade e Vida


Na situação em que se acha nossa sociedade, é compreensível a dificuldade na escolha do próprio rumo.

Como nos ajustarmos a um mundo hostil, a situações aflitivas e prosseguir mantendo a alegria de viver?

São notícias sempre alarmantes de agressões, desemprego, acidentes.

É a corrupção que corre à solta e aparece em todo lugar, minando instituições que julgávamos sérias.

Ante a discrepância entre o falar e o agir de homens públicos, nos questionamos acerca do correto caminho político.

O que nos será melhor: as plataformas da esquerda, da direita, do centro?

Pensando nas questões da fé, ante tantos disparates, ilusões e enganos, nos perguntamos se valerá a pena cultivar a fé e reverenciar a Deus.

São múltiplas as indagações e parecem carecer de respostas, ao menos de respostas de bom senso.

Mas, há mais de dois milênios, um Cantor tomou da lira do amor e teceu sinfonias de esperança, abrindo Sua boca para enunciar: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

O que Ele veio ensinar é resposta para as inúmeras questões da alma humana.

A melhor postura política é aquela que visa o bem comum, num processo de ofertar melhores condições para a sociedade se educar, emancipar e fortalecer.

A proposta de Jesus para o pensamento político é a da justiça sem mácula, para todos.

Por isso prescreveu: A cada um segundo suas obras. Sem privilégios. Sem injustiças.

Dai a César o que a César pertence, ensinando ao homem a se tornar o cidadão cônscio dos seus deveres, direcionando ao Estado o que lhe pertence.

Amai-vos uns aos outros, estabelecendo que o homem deve se importar com o seu irmão, abandonando os canais da indiferença e do egoísmo.

No que diz respeito à fé religiosa, desde o momento em que se encontrou com a samaritana no poço de Jacó, estabeleceu as bases da verdadeira adoração, ensinando-nos que Deus é Espírito e importa que em Espírito e Verdade seja adorado.

O que importa mesmo é o amadurecimento interior não as posições exteriores que geram fanatismo, por não entender, a própria criatura, o que está fazendo.

Jesus é nosso norte e teve razão em afirmar: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

Quem O segue jamais andará em trevas ou se debaterá em dúvidas.

* * *

Os seguidores de Jesus são transeuntes solitários da via humana. São conhecidos, porém, incompreendidos. São suportados, mas nem sempre amados.

À semelhança do Mestre, permaneçamos fiéis no mundo das aflições, tudo enfrentando com o valor da fé, para não desanimarmos nem nos corrompermos.

O cristão não vacila porque tem como Modelo e Guia Jesus, o Divino condutor da Humanidade.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 27 do livro Quem é o Cristo? ,pelo Espírito Francisco de Paula Vítor, psicografia de Raul Teixeira, editora Fráter e do verbete Cristão, do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.Em 10.12.2009.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ORGULHO E VAIDADE

Autor: Ney Prieto Peres

“Em tempos de tempestade, orar, vigiar e estudar são os melhores remédios…”

Procuremos, agora, ilustrar, entre os defeitos que mais comumente manifestam-se em nós, o orgulho e a vaidade. Busquemos tranqüilamente conhecê-los, tão profundamente quanto possível, sem mascarar os seus impulsos dentro de nós mesmos. Entendamos que a tolerância começa de nós para nós mesmos. Assim, o nosso trabalho de prospecção interior é suave, e não podemos nos maldizer ou nos martirizar pelos defeitos que ainda temos. Vamos, então, trazer aos níveis de nossa consciência aquelas manifestações impulsivas que nos dominam de certo modo, e que, progressivamente, desejamos controlar.

Vejamos, então, como identificar em nós o orgulho e a vaidade.

Orgulho

Aquele que fio encontra a felicidade senão na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz quando fio os pode satisfazer, enquanto que aquele que fio se interessa pelo supérfluo se sente feliz com aquilo que, para os outros, constituiria infortúnio.

(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Quarto. Capítulo 1. Penas e Gozos Terrenos. Parte dos comentários à resposta da pergunta 933.).

O orgulho vos induz a julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação que vos possa re­baixar, e a vos considerardes, ao contrário, tão acima dós vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. E o que acontece, então? Entregai-vos à cólera.

(Allan Kardec. O Evangelho Segundo Q Espiritismo. Capítulo IX. Bem-aventurados os Brandos e Pacíficos. A Cólera.).

As principais reações e características do tipo predominantemente orgulhoso são:

1. Amor-próprio muito acentuado: contraria-se por pequenos motivos;
2. Reage explosivarnente a quaisquer observações ou críticas de outrem em relação ao seu comportamento;
3. Necessita ser o centro de atenções e fazer prevalecer sempre as suas próprias idéias;
4. Não aceita a possibilidade de seus erros, mantendo-se num estado de consciência fechado ao diálogo construtivo;
5. Menospreza as idéias do próximo;
6. Ao ser elogiado por quaisquer motivos, enche-se de uma satisfação presunçosa, como que se reafirmando na sua importância pessoal;
7. Preocupa-se muito com a sua aparência exterior, seus gestos são estudados, dá demasiada importância à sua posição social e ao prestígio pessoal;
8. Acha que todos os seus circundantes (familiares e amigos) devem girar em torno de si;
9. Não admite se humilhar diante de ninguém, achando essa ati­tude um traço de fraqueza e falta de personalidade;
10. Usa da ironia e do deboche para com o próximo nas ocasiões de contendas.

Compreendemos que o orgulhoso vive numa atmosfera ilusória, de destaque social ou intelectual, criando, assim, barreiras muito densas para penetrar na realidade do seu próprio interior. Na maioria dos casos o orgulho é um mecanismo de defesa para encobrir algum aspecto não aceito de ordem familiar, limitações da sua formação escolar-educacional, ou mesmo o resultado do seu próprio posicionamento diante da sociedade da imagem que escolheu para si mesmo, do papel que deseja desempenhar na vida de status.

E preferível nos olharmos de frente, corajosamente, e lutar por nos­sa melhora, não naquilo que a sociedade estabeleceu, dentro dos limites transitórios dos bens materiais, mas nas aquisições interiores: os tesouros eternos que a traça não come nem a ferrugem corrói! .

Vaidade

O homem, pois, em grande número de casos,é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade, acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.

(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo V. Bem-aventurados os Aflitos. Causas Atuais das Aflições.)

A vaidade é decorrente do orgulho, e dele anda próxima. Destacamos adiante as suas facetas mais comuns:

1. Apresentação pessoal exuberante (no vestir, nos adornos usados, nos gestos afetados, no falai demasiado);
2. Evidência de qualidades intelectuais, não poupando referências à própria pessoa, ou a algo que realiza;
3. Esforço em realçar dotes físicos, culturais ou sociais com notória antipatia provocada aos demais;
4. Intolerância para com aqueles cuja condição social ou intelectual é mais humilde, não evitando a eles referências desairosas;
5. Aspiração a cargos ou posições de destaque que acentuem as referências respeitosas ou elogiosas à sua pessoa;
6. Não reconhecimento de sua própria culpabilidade nas situações de descontentamento diante de infortúnios por que passa;
7. Obstrução mental na capacidade de se auto-analisar, não aceitando suas possíveis falhas ou erros, culpando vagamente a sorte, a infelicidade imerecida, o azar.

A vaidade, sorrateiramente, está quase sempre presente dentro de nós. Dela os espíritos inferiores se servem para abrir caminhos às perturbações entre os próprios amigos e familiares. É muito sutil a manifestação da vaidade no nosso íntimo e não é pequeno o esforço que devemos desenvolver na vigilância, para não sermos vítimas daquelas influências que encontram apoio nesse nosso defeito. De alguma forma e de variada intensidade, contamos todos com uma parcela de vaidade, que pode estar se manifestando nas nossas motivações de algo a realizar, o que é certa­mente válido, até certo ponto. O perigo, no entanto, reside nos excessos e no desconhecimento das fronteiras entre os impulsos de idealismo, por amor a uma causa nobre, e os ímpetos de destaque pessoal, característicos da vaidade.

A vaidade, nas suas formas de apresentação, quer pela postura física, gestos estudados, retórica no falar, atitudes intempestivas, reações arrogantes, reflete, quase sempre, uma deformação de colocação do indivíduo, face aos valores pessoais que a sociedade estabeleceu. Isto é, a aparência, os gestos, o palavreado, quanto mais artificiais e exuberantes, mais chamam a atenção, e isso agrada o intérprete, satisfaz a sua necessidade pessoal de ser observado, comentado, badalado.

No íntimo, o protagonista reflete, naquela aparência toda, grande insegurança e acentuada carência de afeto que nele residem, oriundas de muitos fatores desencadeados na infância e na adolescência. Fixações de imagens que, quando criança, identificou em algumas pessoas aparentemente felizes, bem sucedidas, comentadas, admiradas, cujos gestos e maneiras de apresentação foram tomados como modelo a seguir.

O vaidoso o é, muitas vezes, sem perceber, e vive desempenhando um personagem que escolheu. No seu íntimo é sempre bem diferente daquele que aparenta, e, de alguma forma, essa dualidade lhe causa conflitos, pois sofre com tudo isso, sente necessidade de encontrar-se a si mesmo, embora às vezes sem saber como.

O mais prejudicial nisso tudo é que as fixações mentais nos personagens selecionados podem estabelecer e conduzir a enormes bloqueios do sentimento, levando as criaturas a assumirem um caráter endurecido, insensível, de atitudes frias e grosseiras. O Aprendiz do Evangelho terá aí um extraordinário campo de reflexão, de análise tranqüila, para aprofundar-se até as raízes que geraram aquelas deformações, ao mesmo tempo que precisa identificar suas características autênticas, o seu verdadeiro modo de ser, para então despir a roupagem teatral que utilizava e colocar­se amadurecidamente, assumindo todo o seu íntimo, com disposição de melhorar sempre.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

SOBRE A CALMA

Manter a calma, sempre é uma virtude. Revela o estado de espírito do ser.

A calma frente as vicissitudes diárias, revela a harmonia espiritual, tão necessária para a manutenção do equilíbrio e do ambiente.

A calma implica em vários fatores, pois revela disciplina, tolerância, bondade, carinho, respeito, equilíbrio, paz, harmonia, serenidade, dentre outros.

São tantos os adjetivos que podemos atribuir à calma, que se pensarmos bem, veremos que devemos lutar com todas as forças para sermos pessoas calmas.

Primeiro, devemos aprender a fechar a boca, quando confrontados ou contrariados. Sei que é difícil, mas se conseguirmos manter o equilíbrio e a tentação de não responder as provocações, teremos tido uma grande vitória pessoal.

Se, em uma discussão qualquer, nós perdermos a calma, e contrariados, no calor da discussão, passarmos a dialogar com nosso próximo no mesmo tom, ou respondermos “à altura” as provocações, isto gerará uma total desarmonia espiritual de conseqüências imprevisíveis. O relacionamento em questão ficará abalado. Todos perdem, ninguém ganha.

Perder a calma implica muitas vezes na perda do emprego, namoros desfeitos, casamentos destruídos, amizades abaladas, brigas entre vizinhos, acidentes de trânsito, e, espiritualmente falando, implica na contratação de débitos, que de alguma forma precisarão ser resgatados no futuro.

Quando em momentos tormentosos optamos pelo silêncio, pela não agressão, estamos sendo humildes e caridosos, não estamos contraindo dívidas espirituais, bem como não estamos alimentando a cólera dos outros.

Se você for ofendido e não reagir, mantendo a calma e o controle, no futuro (nesta vida ou em outra), o agressor sentirá alguma forma de remorso, e tentará resgatar este débito.

Manter a calma, somente traz benefícios para nossas vidas.

Pratiquem e verão como suas vidas irão mudar para melhor.

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quinta-feira, 23 de julho de 2009

INTERDEPENDÊNCIA

Bezerra de Menezes
Do livro: Bezerra, Chico e Você, Médium: Francisco Cândido Xavier.


... realmente, achamo-nos todos no campo da fé viva para trabalhar.
E servir, sem esquecer-nos para alcançar semelhante realização, é praticamente impossível.

... de quando a quando, pelo menos, ser-nos-á justo analisar a extensão e a qualidade de nossas tarefas, de modo a verificar-lhes o rendimento no bem.

... permaneceis conosco, não à maneira de cooperadores cativos, dependentes de nossas orientações.

Conquanto, a diferença de plano, cada um de nós, se detém na posição que lhe é própria, em matéria de encargos recebidos.

... esse recolheu a missão de planear o ensino e concretizá-lo: aquele se encontra compromissado em administrar; aquele outro ainda se vê compelido a zelar por essa ou aquela faixa de ação, para fazê-lo produzir determinados valores no bem geral.

Temos irmãos que se acharam trazidos a mandatos complexos na direção direta ou indireta de pequenas ou grandes comunidades; outros solicitaram e obtiveram da Vida Espiritual a felicidade de se reencarnarem nos postos de sacrifício, com o objetivo de se desvelarem no reajuste de alguém que lhes toma o convívio, sob os nomes de pai ou esposo, filho ou irmão; e outros muitos, ainda, por vezes, encontram em pleno anonimato, a condição de renúncia de que se reconheceram, um dia, necessitados, para a realização de encargos no auto-aperfeiçoamento.

... estejamos na certeza de que todos somos peças interdependentes nas engrenagens da vida. E as engrenagens a que nos referimos reclamam de cada um de nós fidelidade e disciplina, de maneira a que não venhamos a olvidar aquela área da existência, em que todos os dias surpreendem os desígnios do Senhor a nosso respeito, área que nomeamos com a palavra “dever”.

... aceitemo-nos como somos, trabalhando para melhorar-nos cada vez mais e aceitemos as atividades em que fomos necessariamente situados para que a rebeldia não se nos intrometa nas obrigações do cotidiano, fantasiada de liberdade.

... somos herdeiros e depositários da fé que precisa expressar-se no bem geral.

Caridade, entendimento, solidariedade, amparo, sacrifício, constituem frutos que nos compete espalhar onde estivermos.

... abençoemos aqueles que se nos façam instrumentos de prova; os que nos visitem o coração, à maneira do esmeril que o abrilhanta ou reajusta; os companheiros que se transformam em problemas que nos levam a conhecer o trabalho em suas mais íntimas nuances; e, sobretudo no lar, agradecemos a oportunidade de nos devotarmos em auxílio a outrem, às vezes, até mesmo com o desinteresse compulsório dos nossos sonhos mais ínfimos, a fim de que nos mantenhamos matriculados na escola do amor verdadeiro que inclui todos os sacrifícios para que a felicidade consiga viver com aqueles que mais amamos, erguendo-se-nos, por fim, na existência, em pão espiritual de cada dia.

... filhos, entendemos as vossas dificuldades que são também nossas e reconhecemos a inquietação com que muitos de vós outros nos bateis às portas do coração suplicando esperança e consolação.

Crede!

Não somos insensíveis aos vossos rogos, mas, porque também nos achamos lutando e trabalhando convosco no mesmo nível, convidamos a nós mesmos, para compartilharmos a mesma requisição de auxílio e força ao Senhor Jesus, a fim de que nos reunamos na mesma faixa de confiança redentora e produtiva, servindo e amando com a certeza de que se nos amarmos realmente. Uns aos outros, seguiremos adiante, superando todos os obstáculos, para o encontro sublime da União com Deus.

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sábado, 11 de julho de 2009

Enviai, Senhor, o vosso Espírito e renovareis a face da terra

Escrito por Aventino Oliveira, Portugal – do site FÁTIMA MISSIONÁRIA
http://www.fatimamissionaria.pt

"A fidelidade e o amor vão encontrar-se, vão beijar-se a paz e a justiça", proclama o salmo 85 na liturgia da missa do Domingo XV do tempo comum

Diz-nos o evangelho: “Naquele tempo, Jesus chamou a si os doze Apóstolos e começou a mandá-los em missão dois a dois” (Marcos 6,7). Chamou-os Cristo, preparou-os e, depois, enviou-os dois a dois a pregar a Boa Nova. Todos nós, homens, mulheres e crianças, fomos escolhidos, e todos nós somos enviados por Deus para fazermos um trabalho em prol da humanidade. O Deus Trinitário não pode aceitar egoísmos: todos temos de amar os outros com a prática das boas obras e da palavra consoladora. Não há excepções a este mandamento de Deus. Nenhum membro da humanidade é isento: chefes da sociedade, dirigentes de grupos, membros de famílias, indivíduos. Todos!

Na primeira leitura temos um enviado de Deus, alguém que o Senhor consagrou para ir entregar ao seu povo uma mensagem de bondade e justiça: o profeta Amós. A segunda leitura diz-nos que todos recebemos “bênçãos de sabedoria e inteligência”, dons que devemos usar para melhorar a situação do próximo: “Cada um ponha ao serviço dos outros o dom que recebeu” (1 Pedro 4,10).

É interessante ver como Cristo não só enviou os apóstolos. Deu-lhes um programa de trabalho. Programar a própria vida, incluindo naturalmente o aspecto espiritual, é algo de muito importante. Poderíamos trabalhar com um computador que não tem programas? Ao enviar os seus apóstolos, Cristo deu-lhes um programa simples e claro:

- Enviou-os dois a dois: o trabalho que eles devem fazer é um trabalho de comunidade e para a comunidade, não um projecto individualista.

- Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros: o poder de eliminar, pela palavra e pelo exemplo, as impurezas, as falsidades, as injustiças, as desigualdades sociais, os egoísmos, numa palavra, tudo o que desfigura a comunidade.

- Ordenou-lhes que levassem consigo só um cajado. É fácil desejar acumular riquezas, mesmo enormes, em prejuízo dos outros, mesmo dos mais pobres. Tanta gente honesta a trabalhar para darem uma vida decente à sua família e outros a ganharem quantias ingentes de dinheiro que de forma nenhuma merecem, com a conivência dos dirigentes das nações.

- Não levarem duas túnicas: o que nos ensina a necessidade de partilhar com os menos avantajados. Negar-se a ajudar os necessitados quando tal se pode fazer, merece castigo natural. (Aliás, quanto mais se tem, menos se é.)

- Os Apóstolos pregaram que era preciso cada um arrepender-se. Arrependimento de todos os males e pecados, tanto dos indivíduos como dos grupos, das nações, dos povos... Nenhuma nação pode possuir riquezas enormes quando outras vivem na pobreza: os bens foram criados por Deus para toda a humanidade e não só para certos grupos ou raças que, malignamente, se aproveitam da impotência ou fraqueza dos outros.

- Os Apóstolos expulsavam os demónios. Espertalhão que ele é, o demónio encobre a sua existência a muita gente. Mas a palavra de Cristo é bem clara: pelas suas acções os conhecereis. O demónio trabalha de muitas maneiras, como as muitas formas de discriminação, de injustiça, de mentira.

- Os Apóstolos ungiam com óleo numerosos doentes e curavam-nos. Quantas pessoas tratam inúmeras formas de doenças nos hospitais, centros para idosos, centros de reforma de abusos como as drogas ou o álcool, cura de enfermidades psicológicas! Gente que tem o coração cheio do desejo de bem-fazer, indivíduos que compreendem e praticam a regra do Espírito Santo que diz que “os dons de Deus são para o bem da comunidade” (1 Cor 14,12). Gente que o Senhor enviou, como enviou os seus Apóstolos. Gente que escuta o murmúrio do Espírito no seu coração e na sua vida, tal como fazia a Virgem Maria de Nazaré. Gente que trabalha para um mundo melhor.

domingo, 5 de julho de 2009

A PARTE QUE NOS CABE

Redação do Momento Espírita.
Certa vez ouvimos uma fábula que nos fez refletir acerca dos ensinamentos que continha.

Tratava-se de um incêndio devastador que se abatera sobre a floresta.

Enquanto as labaredas transformavam tudo em cinzas, os animais corriam na tentativa de salvar a própria pele.

Dentre os muitos animais, havia uma pequena andorinha que resolveu fazer algo para conter o fogo.

Sobrevoou o local e descobriu, não muito longe, um grande lago. Sem demora, começou a empreitada para salvar a floresta.

Agindo rápido, voou até o lago, mergulhou as penas na água e sobrevoou a floresta em chamas, sacudindo-se para que as gotas caíssem, repetindo o gesto inúmeras vezes.

Embora não tivesse tempo para conversa fiada, percebeu que uma hiena a olhava e debochava da sua atitude.

Deteve-se um instante para descansar as asas, quando a hiena se aproximou e falou com cinismo:

Você é muito tola mesmo, pequena ave! Acha que vai deter o fogo com essas minúsculas gotas de água que lança sobre as chamas? Isso não produzirá efeito algum, a não ser o seu esgotamento.

A andorinha, que realmente desejava fazer algo positivo, respondeu: Eu sei que não conseguirei apagar o fogo sozinha, mas estou fazendo tudo o que está ao meu alcance.

E, se cada um de nós, moradores da floresta, fizesse uma pequena parte, em breve conseguiríamos apagar as labaredas que a consomem.

A hiena, no entanto, fingiu que não entendeu, afastou-se do fogo que já estava bem próximo, e continuou rindo da andorinha.

Assim acontece com muitos de nós, quando se trata de modificar algo que nos parece de enormes proporções.

Às vezes, imitando a hiena, costumamos criticar aqueles que, como a andorinha, estão fazendo sua parte, ainda que pequena.

É comum ouvirmos pessoas que reclamam da situação e continuam de braços cruzados.

De certa forma, é cômodo reclamar das coisas sem envolver-se com a solução.

No entanto, para que haja mudanças de profundidade, é preciso que cada um faça a parte que lhe cabe para o bem geral.

Reclamamos da desorganização, da burocracia, da corrupção, da falta de educação, da injustiça, esquecendo-nos de que a situação exterior reflete a nossa situação interior.

Não há possibilidade de fazer uma sociedade organizada, honesta e justa se não houver homens organizados, honestos e justos.

Em resumo, para moralizar a sociedade, é preciso moralizar o indivíduo, que somos cada um de nós, componentes da sociedade.

Se fizermos a nossa parte, sem darmos ouvidos às hienas que tentarão desanimar a nossa disposição, em breve tempo teremos uma sociedade melhorada e mais feliz.

* * *

Em que sentido se devem entender estas palavras do Cristo: Meu reino não é deste mundo?

Poderá jamais implantar-se na Terra o reinado do bem?

Se você deseja saber as respostas destas duas perguntas, leia O livro dos espíritos, de Allan Kardec.

O Espírito São Luís responde a estas e a outras tantas perguntas propostas pelo Codificador.

sábado, 4 de julho de 2009

Meimei: FAZENDO SOL


Fazendo Sol
Meimei

Amanheceste chorando pelos que te não compreendem.

Amigos rixaram contigo.

Nos mais amados, viste o retrato da ingratidão.

Aspiravas a desentranhar o carinho nos corações queridos, com a pureza e a simplicidade da abelha que extrai o néctar das flores sem alterá-las, e, porque não conseguiste, queres morrer...

Não te encarceres, porém, nos laços do desespero.

Afirmas-te à procura do amor, mas não te recordas daqueles para quem o teu simples olhar seria assim como o sorriso da estrela, descerrado nas trevas.

Mostram a cabeça encanecida, à feição de nossos pais, são irmãos semelhantes a nós ou são jovens e crianças que poderiam ser nossos filhos... Contudo, estiram-se em leitos de pedra ou refugiam-se em antros, fincados no solo, quais se fossem proscritos atormentados.

Não te pedem mais que um pão, a fim de que se lhes restaurem as energias do corpo enfermo, ou uma palavra de esperança que lhes console a alma dorida.

Não percas o tesouro das horas, na aflição sem proveito.

Podes ser, ainda hoje o apoio dos que esmorecem desalentados, ou a luz dos que jazem nas sombras; podes estender o cobertor agasalhante sobre aqueles a quem a noite pede perdão por ser fria, aliviar o suplício dos companheiros que a moléstia carcome ou dizer a frase calmante para os que enlouqueceram de sofrimento...
Sai, pois de ti mesmo para conhecer a glória de amar!...

Perceberás, então, que a existência na Terra é apenas um dia na eternidade, aprendendo a iluminá-la de amor, como quem anda fazendo sol, nos caminhos da vida, e encontrarás, mais tarde, em cânticos de alegria, todos aqueles que te não amam agora, amando-te muito mais, por te buscarem a luz no instante do entardecer.

Por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, da obra O Espírito da Verdade, Por Espíritos Diversos. Brasília, DF, FEB, 1961, cap. 25.